Contagem Decrescente

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Faltam apenas 3 dias para o Reino Unido tomar uma das decisões mais importantes da sua História recente. Já aqui muito foi explorada a questão do referendo: a importância da UE para a Economia do Reino Unido, as deficiências e os vícios da organização política da UE, o confronto político entre o "In" e o "Out", as consequências geopolíticas do Brexit para o Reino... Passemos, então, a analisar os principais argumentos de cada lado da barricada.

Imigração
Este é dos temas que mais dividem a população britânica. Já sabemos que a maior parte da população de estratos sociais mais baixos, a que mais foi prejudicada pela imigração em massa, é a favor de uma redução considerável dos níveis de imigração. Atualmente, o número de imigrantes que entram no Reino Unido por ano equivale à população da cidade de Newcastle upon Tyne - cerca de 300 mil pessoas.
Remain: A população imigrante é maioritariamente uma comunidade de gente trabalhadora e decente, que contribui para o desenvolvimento do país, não só através da regeneração da população britânica, que está a envelhecer, mas também através de impostos e outras taxas, sendo falsa a ideia do imigrante espertalhão que utiliza os recursos do país e se aproveita dos benefícios do Estado Social.
Leave: O ritmo de imigração (300 mil pessoas/ano) no Reino Unido é insustentável, não podendo a Grã-Bretanha adotar um sistema de imigração justo e controlável enquanto fizer parte da União Europeia. Além disso, o sistema imposto ao Reino Unido é discriminatório face aos países do resto do mundo, uma vez que coloca os cidadãos da União Europeia numa situação muito mais vantajosa em comparação com os potenciais imigrantes dos outros países, inclusivamente os da  Commonwealth, com quem o Reino Unido tem fortes ligações históricas e culturais.

Soberania,  Democracia e Burocracia
A União Europeia é um organismo político abusivo, pouco democrático, altamente burocrático e ilegitimamente supressor das soberanias nacionais. Ninguém contesta isto, nem mesmo a campanha do Remain. Mas há argumentos que relativizam a situação, dada a influência do Reino Unido.
Remain: O Reino Unido deve exercer a sua influência política na União Europeia "por dentro", não devendo desistir do projeto Europeu, por muito alterado que este se encontre. O Reino Unido sempre teve uma voz forte na União Europeia e no mundo, e vai continuar a tê-la se permanecer na União. O PM David Cameron disse até num debate que o RU não deveria querer ser a "Little England" isolada do resto do mundo, mas a "Great Britain" que tem sido ao longo dos séculos.
Leave: O parlamentarismo Britânico, que remonta ao séc.XVII, e a  soberania do Reino são hoje anulados por uma instituição dominada por burocratas não eleitos. Também os tribunais britânicos estão subordinados ao Tribunal Europeu. A União Europeia tem sempre a última palavra, e esta é uma situação que não é compatível com a cultura democrática do Reino.

Comércio e Aspeto Financeiro
Outra das questões que mais influenciarão o voto dos britânicos.
Remain: 44% das exportações do Reino Unido vão para a União Europeia. É desnecessário e perigoso criar uma situação instável, quando a situação atual é altamente benéfica, tanto para o Reino Unido como para a União Europeia. Além disso, sem as vantagens comerciais associadas ao Mercado Comum da União Europeia, a City de Londres poderá colapsar com a saída dos bancos do Reino Unido.
Leave: A percentagem das exportações do Reino Unido para a União Europeia tem vindo a descer; os acordos com a União Europeia não permitem que o Reino Unido estabeleça relações comerciais com os mercados emergentes, como a China ou a Índia. O colapso da City é improvável, uma vez que os reduzidos impostos cobrados no Reino Unido permitirão que o país continue a ser um local atrativo em termos económicos e financeiros.

Outros aspetos, como a Defesa ou a Segurança e o terrorismo, são também pontos que terão influência na derradeira decisão. E, por falar nisso, o primeiro-ministro já avisou: esta é a decisão de uma geração. Se o Brexit ganhar, a saída deverá ser sem retorno. Os riscos devem ser considerados. A decisão será acatada.
S.G.

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