O Futuro do Reino

A Escócia, a Irlanda do Norte e principalmente Gales dependem muito mais dos fundos e instituições europeias do que a Inglaterra. Uma possível saída da União Europeia isolaria a Irlanda do Norte (uma fronteira com a República até podia ressuscitar rivalidades enterradas), tiraria os fundos para o desenvolvimento a Gales (uma das zonas menos desenvolvidas da Europa Ocidental) e contrariaria as vontades pró-europeístas do povo escocês (que considera Bruxelas um importante contra-peso em relação a Londres).
Parece claro que uma saída da União Europeia levaria a pedidos de novo referendo por parte da Escócia, alimentaria uma tentativa de união na Irlanda e só não levaria à independência de Gales porque a Inglaterra anda a menosprezar o principado há tanto tempo que este não tem quaisquer condições para ser um país independente. Isto levaria a um vexame difícil de ultrapassar em Inglaterra, sendo uma das poucas razões lógicas para os ingleses votarem contra o "Brexit".
Será que a soberania que se ganha compensa o território que se perde? Não me parece. A Noruega e a Suíça cumprem muitas das diretivas da União Europeia para poderem comerciar com os estados-membros e o Reino Unido não deverá ter tratamento diferente. Apesar de fazer muita comichão aos ingleses terem o seu Parlamento subjugada a outro (e com muita razão), a destruição da União é um preço demasiado caro a pagar.
A União que nasceu de um erro de política externa da Escócia (uma tentativa de colonização falhada da América Central fez os escoceses perderam 1/4 da sua riqueza) poderá morrer com um erro de política interna inglês. Cameron brincou com o fogo no referendo da Escócia e brincou com o fogo ao anunciar este referendo com vista a vencer as eleições . Pela segunda vez em 5 anos, o primeiro-ministro do Reino Unido arrisca-se a ser o último.
João Jonet
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