O tropeção do porta-estandarte


Depois das derrotas de Sócrates, Brown, Zapatero e Papandreou, que deixaram aos seus sucessores países em muito mau estado, a vitória de Hollande nas presidenciais de 2012 permitiu à esquerda europeia respirar. O mais proeminente líder socialista do Continente chegou ao poder para alterar profundamente a maneira como a França e a Europa lidavam com a crise. 4 anos depois, defraudou tudo e todos.

Começou por causar uma fuga em massa de multi-milionários com os 75% de impostos que imputou a quem ganhasse mais de um milhão por mês. Mas o seu socialismo idealizado ficou-se por esta medida populista e contra-producente. Foi totalmente amestrado por Merkel, passando a ser  também um "bom aluno" da Chanceler. Quando tentou deixar a sua marca, nas negociações com a Grécia em Julho passado foi completamente ignorado, sofrendo um duro golpe na sua credibilidade.

Os escândalos pessoais também não ajudaram o Presidente Francês, constantemente achincalhado pela imprensa cor-de-rosa devido às suas infidelidades.

Não pela primeira vez, Hollande vê o seu país numa situação caótica em termos de contestação social devido às suas medidas de austeridade, um página que prometeu virar, como diria o nosso amigo António Costa.

Mas um dos maiores escândalos surgiu hoje, com a Comissão Europeia a admitir que a França só não sofre sanções porque é a França e tem enormes poderes dentro dos órgãos da União, tornando claro o falhanço total das políticas de Hollande.

Apesar dos dois ataques a Paris no último ano e meio terem distraído o Mundo em relação à sua péssima Presidência, o seu legado será um de promessas falhadas e fracasso na implementação das suas ideias, muito como o seu companheiro Barack Obama.

A coisa está preta para o Socialismo europeu, que com Corbyn (ler aqui), Pedro Sanchéz e António Costa se vê cada vez mais longe do centro e da possibilidade de conseguir poder duradouro. Sobrando-lhes Matteo Renzi para ser a sua maior figura, esperamos com ansiedade um novo tropeção do porta-estandarte.
João Jonet



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