Entre a espada e a parede
O primeiro-ministro britânico vive momentos difíceis. Apontado como o mais importante líder da direita europeia desde a queda de Nicolas Sarkozy, David Cameron vê o seu governo em constante "estado de sítio" desde que venceu surpreendentemente as eleições legislativas por maioria absoluta.
Pela primeira vez a governar sozinho (contou com o apoio dos Liberais nos seus primeiros 5 anos), Cameron tem, finalmente, a oportunidade de fazer as coisas como quer, não dependendo de terceiros, mas não está a correr especialmente bem. Demissões no governo, protestos e, novidade das novidades, revolta nas redes sociais. Tal como para António Costa, a frente educativa parece negra para o líder dos Conservadores. Implementou exames no 4º ano (tal como Passos Coelho fez, esperando-se apenas um Governo Trabalhista para levar a política da reversão a Terras de Sua Majestade), o que levou a grande agitação social.
O Estado Social não está melhor, com reformas às pensões de invalidez a criarem mal-estar dentro do partido. A demissão de Iain Duncan Smith (ex-líder) foi a demonstração pública desta quezília. Também é uma novidade a intenção de David Cameron de permitir que os empregadores perguntem que tipo de escola é que os candidatos à sua empresa frequentaram, que também causou alguns problemas.
Mas a cereja no topo do bolo é mesmo o referendo. Ainda ontem, Richard Dawkins afirmou que o primeiro-ministro estava a jogar à "roleta russa" com o destino do Reino Unido. Para ganhar as eleições, prometeu este plebiscito, mas as consequências podem levar à sua demissão. Apoiante do "In" desde que prometeu o referendo, Cameron luta pela sua sobrevivência e deve-o apenas a si próprio.
Boris Johnson espera uma vitória do "Out", que levará à demissão do seu correlegionário e à sua subida ao poder. Só o tempo dirá se teremos dois cabelos extraordinários dos dois lados do Atlântico.
Trump e Johnson, a "Dupla da Permanente"
João Jonet
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