Jo Cox e o Referendo
Ontem, a deputada britânica Jo Cox foi brutalmente assassinada por um homem de meia idade que gritou "Britain First" no momento do assassinato. Britain First é o nome do partido de Direita Radical do Reino Unido, suspeitando-se que o assassino tenha ligações a este partido. A deputada pertencia ao Partido Trabalhista e participava ativamente na campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia. O país parou, e a campanha relativa ao referendo ao Brexit foi suspensa.
A imprensa britânica tem sido prudente ao não relacionar o assassinato da deputada de 41 anos com a campanha pelo Brexit, mas a verdade é que esta associação é feita por grande parte das pessoas, visto que uma das grandes bandeiras do Britain First é a defesa de um "país soberano", livre das amarras da UE. Resta saber se esta tragédia terá consequências nos resultados do Referendo que se realizará no dia 23 de junho.
No caso de não haver consequências políticas deste incidente, o Brexit pode muito bem ser o resultado do referendo. Na última semana, o "Leave" ganhou uma vantagem considerável sobre o "Remain", estando à frente em quase todas as sondagens publicadas. Questões como a imigração ou a soberania do parlamento britânico parecem ser consideradas mais importantes do que os riscos economico-financeiros associados à saída da União Europeia.
Vamos aos números e, para isso, anexo uma ligação que permitirá o leitor analisar em detalhe as sondagens, tendo em conta diferentes categorias (partidos, regiões...).
O Referendo em números, segundo o "The Economist".
Os números são claros.
- Pessoas de estratos sociais mais baixos votam maioritariamente pela saída da União Europeia, enquanto que as pessoas mais ricas votam em maior número pela permanência, embora a diferença não seja tão significativa quando em comparação com a votação entre as pessoas mais pobres. O critério "imigração" é claramente preponderante na escolha dos estratos sociais mais baixos, devido à enorme pressão a que foi sujeita a classe trabalhadora, resultado de uma política de imigração indiscriminada, que prejudicou o nível de vida dos menos qualificados;
- A Escócia vota maioritariamente pela permanência e, na perspetiva da vitória nacional do "Leave" no referendo, os independentistas escoceses veem uma oportunidade para a independência da Escócia, por meio de um novo referendo à independência.
- Os jovens preferem claramente a permanência na UE, sentindo-se "cidadãos da Europa", enquanto que os mais velhos se mantêm fieis à ideia de um país independente e soberano.
Estamos na reta final, o "Leave" parece estar a surpreender pela positiva, e os avisos de variadíssimas instituições em relação aos perigos da saída da União Europeia não parecem ser suficientes para convencer os britânicos, mas só no dia 23 se verá se as sondagens são fieis à vontade dos britâncos.
S.G.
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