A hipocrisia não tem limites...

O dia de ontem ficou marcado por um comunicado importante da Reserva Federal, informando que o Presidente Andrew Jackson (1829-1837) seria substituído na nota de 20$. Tomaria o seu lugar a ativista Harriet Tubman, que teve um papel importante na libertação de 750 escravos durante a Guerra Civil.
Este acontecimento vem na sequência de vários apelos a que uma mulher estivesse presente numa nota, tal como outras grandes personalidades da história americana. No entanto, os movimentos feministas nunca aprovaram este tipo de medidas, acreditando ser de mau gosto associar grandes símbolos feministas ao sistema capitalista.
Mas não é por isso que aqui trago este tema. Trago-o, sim, devido ao insólito da situação. À revelia do próprio movimento feminista, a Reserva Federal toma uma medida que tem tanto de inacreditável como de injustificável. O plano inicial até era trocar Hamilton por Tubman na nota de 10$, mas o sucesso do espetáculo sobre o "pai fundador" na Broadway levou a que a atenção do grande público se focasse no dono da nota de 20$. E a Reserva, que parece tomar decisões de acordo com os "hashtags" mais populares no Twitter, não se fez rogada e retirou Jackson da nota.
A escolha em si faz muito pouco sentido. Jackson, apesar de ser responsável por um dos maiores massacres de índios da História, o célebre "Caminho das Lágrimas", de ser um defensor da instituição da escravatura (tinha mais de 150 escravos quando morreu) e de não ter tido uma Presidência fantástica (que democrata é que teve?) teve um papel fundamental na política americana, um que nenhuma grande mulher americana, muito menos Harriet Tubman, alguma vez teve.
Para além de ter sido um dos fundadores do Partido Democrata, o partido político mais antigo do mundo, também foi quem comandou o exército americano que derrotou os ingleses na Batalha de Nova Orleães, em 1812 (uma espécie de Aljubarrota americana), assim mantendo a independência do país. Já para não falar das inúmeras contribuições para a arte atual de fazer política, desde a introdução da campanha ativa, aos discursos e eventos.
Já Harriet Tubman, que é, de facto, uma heroína, não preservou a independência dos EUA, nem teve sequer um papel de grande relevo na Guerra Civil, sendo apenas uma informadora.
Rejubilemos com mais esta vitória do politicamente correto! De novo, sem qualquer tipo de critério, conseguiram alterar a cultura americana! Espetacular!
Resta-me dizer que, se queriam uma mulher no dinheiro (Sacagawea até tem uma moeda só para a homenagear, mas isso não conta!), Eleanor Roosevelt, Amelia Earhart, Abigail Adams ou Jane Addams teriam sido melhores escolhas. Curioso que o "movimento progressista" não olha à cor da pele, mas quando foi para escolher, uma mulher negra que teve um impacto menor superiorizou-se a muitas outras grandes mulheres, apenas porque tinha a pele de cor diferente.
A história de Harriet Tubman é fantástica mas, de facto, a hipocrisia não tem limites...
João Jonet
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