Maiorias silenciosas

Em Portugal, nos anos 70, havia uma maioria silenciosa de pessoas que eram contra um "caminho para o socialismo". No Reino Unido as sondagens mostram que a maioria das pessoas prefere a permanência na União Europeia, tal como as sondagens na Escócia antes do referendo mostravam que a maioria dos inquiridos preferia a continuidade no Reino Unido. Nos Estados Unidos, a maioria dos inquiridos tem uma opinião negativa relativamente a Donald Trump, e uma opinião positiva de Kasich.
As maiorias silenciosas são fenómenos muito interessantes de analisar. Podemos considerar que a recorrência deste fenómeno no Mundo Ocidental significa que vivemos em sociedades em que as pessoas são essencialmente moderadas. Podemos, também, considerar que nunca ninguém se sente particularmente entusiasmado por ser moderado, levando a que as minorias barulhentas pareçam, de facto, maiorias. As minorias barulhentas moldaram o nosso cantinho à beira mar plantado, levando a que a nossa Constituição esteja à esquerda do pensamento português comum. No caso da Escócia, o barulho não deu em nada, e um Sim à independência que parecia certo acabou numa derrota por 10%. No entanto, vemos, de novo, o perigo de a maioria moderada não se mostrar até ser tarde de mais, tanto no Reino Unido, como nos EUA.
No caso britânico, o "Stay" parece a opção mais racional para a maioria das pessoas, mas se analisarmos as campanhas, chegamos à conclusão que o entusiasmo do movimento "Leave" é muito superior. Isto é um perigo, porque uma minoria barulhenta e galvanizadora contra uma maioria amorfa pode levar a um resultado contrário à vontade da maioria da população.
Do outro lado do Atlântico, também Trump entusiasma muito mais a sua minoria enraivecida e xenófoba do que Kasich a sua maioria ponderada e centrista.
No fim, o que conta são os votos e, se uma minoria cria uma dinâmica de vitória e a maioria é apanhada a "dormir na forma", os resultados eleitorais podem não coincidir com o que seria a vontade generalizada, com o que seria considerado senso comum. Que se acorde a maioria silenciosa ou o preço a pagar pode ser demasiado caro.
João Jonet
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