O Regresso ao Passado

A pouco e pouco, o Ocidente parece querer regressar à tradição Protecionista que dominou a Europa durante séculos. É pena.
Na Europa, partidos como a Frente Nacional, em França; "Lei e Justiça", na Polónia; Podemos, em Espanha, entre muitos outros, ganham influência. São partidos cuja ideologia económica sempre teve apoiantes, mas parece haver, agora, uma crescente simpatia pelos ideais protecionistas. O próprio Mercado Comum da União Europeia, que tantas vezes é apontado como um bom modelo do Mercado Livre, pode, pelo contrário, ser considerado um praticante exemplar do Protecionismo: ainda recentemente se soube que a UE quer impedir a entrada de arseneto de gálio - material produzido por países não europeus que promete revolucionar a indústria tecnológica - de forma a proteger os interesses da indústria francesa. 
A febre protecionista também contagiou os EUA, que têm como principal candidato à nomeação do Partido Republicano um homem que, constantemente, critica as consequências do Mercado Livre, e que faz disso uma das suas grandes bandeiras. Mas, do lado Democrata, o carismático opositor de Hillary à nomeação, Bernie Sanders, também faz dos ataques aos acordos comerciais uma orgulhosa bandeira política. Nem mesmo a provável nomeada do Partido Democrata, Hillary Clinton, pode ser considerada uma exímia defensora do Comércio Livre, tendo já  desistido de apoiar a "Parceria Transpacífico", um acordo de livre comércio assinado por 12 países do Pacífico, EUA incluídos.
De facto, o número de políticos que são capazes de defender as virtudes de uma Economia baseada no Livre Mercado tem vindo a diminuir. A tendência até tem sido contrária: há cada vez mais políticos que veem nos ataques ao ML uma forma de ganharem influência. O que é irónico é que muitos dos que simpatizam com as as medidas protecionistas são aqueles que mais prejudicados seriam com a adoção dessas mesmas medidas. Tomemos o caso de Donald Trump. É sabido que Trump tem o apoio de um eleitorado caracterizado por ser maioritariamente de reduzido rendimento e baixo nível de instrução: precisamente o tipo de pessoas que mais perderia com o modelo protecionista, uma vez que, sem a disponibilidade dos produtos mais baratos (importados) no mercado, seriam as pessoas mais pobres que veriam uma maior diminuição no seu poder de compra.
O progresso que uma Economia assente nos princípios do Livre Mercado trouxe e continua a trazer ao Ocidente e, mais recentemente, também a países como a China e a Índia, é um facto suficiente para rejeitar taxativamente um regresso ao Protecionismo. Esperemos que o Ocidente se aperceba disso a tempo.
S.G.

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