Um Olho no Burro e Outro no Elefante: Rescaldo
Bernie Sanders ganhou 7 dos últimos 8 Estados. No total, já ganhou 16. Se há quase um ano, quando anunciou que se ia candidatar, alguém tivesse previsto que iria ganhar um Estado sequer, seria considerado louco. Isto mostra duas coisas: o eleitorado Democrata não confia em Hillary e virou à esquerda durante o mandato de Obama. Esta viragem à esquerda também pode ser considerada uma revolta contra a política convencional.
De qualquer das maneiras, podemos afirmar que Bernie está a surpreender muita gente e que vai com uma dinâmica de vitória inesperada para o Estado-natal da sua adversária. Mesmo que não vença Nova Iorque e não alcance o número necessário de delegados para ser o nomeado, a sua campanha parece acreditar que a margem de derrota pode ser tão pequena que mudará a opinião dos super-delegados e levará a uma Convenção aberta.
Já Ted Cruz, que consegue uma vitória num Estado que não tem nada a ver consigo, parece já ter impedido que Trump consiga a nomeação antes da Convenção e, juntamente com a "máquina" do Partido Republicano também já terá impedido que Kasich volte a ser relevante na corrida, visto que o Wisconsin era perfeito para o Governador, com o seu eleitorado focado na ética e nos princípios. Uma Convenção aberta parece cada vez mais uma realidade, sendo que Cruz é um candidato impossível de eleger e manifestamente incompetente e inexperiente para ser Presidente (não que isso tenha impedido Obama). Parece que o "establishment" do "Partido do Elefante" escolheu o candidato errado nestas primárias, mas como também parece que também vão puxar o tapete a Cruz na Convenção e lançar o nome do Speaker Paul Ryan como o candidato que unificará o Partido, podendo dar a Cruz, Kasich, mas mais provavelmente a Rubio, o lugar de candidato à Vice-Presidência. Este golpe palaciano é muito difícil de executar, mas tem sido muito falado em Washington.
Resta-nos esperar para ver, sabendo de antemão que qualquer candidato de qualquer partido irá para a eleição com uma base eleitoral por unificar e um caos interno difícil de solucionar. Sendo que, no caso de Trump não ser o nomeado, este poderá candidatar-se como independente e tornar a vitória republicana impossível. Uma coisa é certa, nunca ninguém pensou viver para ver convenções abertas e esse fenómeno político será certamente imperdível.
João Jonet

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