Um Olho no Burro e outro no Elefante: Nem dão luta...

Sem espinhas, como previsto. A quarta edição da "Super-Terça Feira" (um franchise que já começa a cansar) teve vencedores claros, o que nos permite começar já a olhar para Novembro.
Hillary, que na segunda-feira estava à frente de todas as sondagens, acabou por desapontar ao não fazer o pleno. Quem fez a desfeita foi o pequeno Estado de Rhode Island, que ofereceu a maioria da sua parca delegação a Bernie.
Trump, por seu lado, conseguiu ganhar todos os Estados em disputa, derrotando Kasich no seu habitat natural: Estados Democratas (moderados e bem informados). Cruz mostrou que não tem qualquer base de apoio no centro nevrálgico da nação ( tendo os resultados em Nova Iorque e no Massachussetts já mostrado isso anteriormente), ficando aquém dos 20% em 4 dos 5 Estados que foram ontem a votos.
As constantes vitórias de Trump no Nordeste provam que o Partido Republicano parece ter perdido toda a capacidade para atrair eleitores nesta zona do país. Sempre com um número menor de votantes, a política da liderança republicana de apelar ao mais reles da natureza americana parece ter custado as zonas urbanas e sub-urbanas ao GOP de forma definitiva. E pensar que há 60 anos Nova Iorque ou a Califórnia eram Estados garantidos para este partido, e que agora tem neles uma votação nunca superior aos 40%.
É claro que é preciso mudar de mensagem, dizer adeus a radicalismos e reconstruir a partir da base. Novembro já está perdido e já pareceu certo. Devem tentar que isto não aconteça outra vez. É de aproveitar a viragem à esquerda dos Democratas (permitida pelo extremar de posições dos Republicanos) para concorrer com uma mensagem responsável, centrista e aglutinadora para recuperar a Casa Branca em 2020.
Isto parece-me contudo um sonho. Os melhores dias do "Partido do Elefante" parecem irrecuperáveis, engolidos pela retórica demagoga dos sulistas que, nos anos 40, ameaçaram destruir o Partido Democrata.
O extremar de posições continuará dos dois lados se não se fizer nada, e da última vez que se chegou a estes níveis de tensão, pouco depois chegou uma Guerra Civil. Esperemos que não haja nova "guerra" por causa de coisas tão triviais como o casamento gay ou o direito às armas.
João Jonet
Comentários
Enviar um comentário