Eleições à vista!
A duas semanas do fim do prazo para se formar um governo em Espanha, o PSOE anunciou o fim das negociações para formar um governo viável, informando que fora impossível chegar a acordo com o Podemos.
Recusando negociar com o Partido Popular, e sem conseguir convencer o Podemos, o PSOE admite que a única solução é a convocação de novas eleições em junho deste ano. Pablo Iglesias, líder do partido de extrema esquerda, é dado como culpado do falhanço das negociações.
O PP está ainda esperançoso de alcançar um acordo com o PSOE e, eventualmente, o Ciudadanos. Mas Rajoy é aquele amigo que ninguém quer ter. O PSOE "já disse mil vezes" que recusa um entendimento com o Partido que esteve no governo nos últimos anos, e até Albert Rivera, o miúdo que chegou agora à política, líder do Ciudadanos, defendeu que a figura de Rajoy não permite que haja a tão desejada regeneração da política espanhola.
Ou seja: o PP quer um acordo com o PSOE; o PSOE não quer. Preferiu um acordo com o Ciudadanos. Foi chumbado no parlamento. Tentou, então, juntar o Podemos. Mas Iglesias não é pêra doce. O PSOE desiste das negociações e diz que são inevitáveis novas eleições. O PP ainda acredita num acordo com o PSOE. PSOE diz "não me chateies".
Basicamente, nos próximos dias, ou Rajoy apresenta um plano de tal forma aliciante que o PSOE volta atrás na sua ideia da inevitabilidade de eleições, ou vai mesmo haver eleições. A última hipótese é mais provável. Parece que, ao contrário do que aconteceu em Portugal, o partido da extrema-esquerda, em Espanha, resiste mesmo a apoiar um governo. Sempre é mais fiel à tradição. Omitindo o "se", podemos até usar uma expressão bem conhecida: não governa nem deixa governar. Iglesias até já anda em campanha, a ver se expande o grupo de bloqueio no parlamento.
Ora, no caso de haver novas eleições, não parece que vá mudar muita coisa. Uma sondagem do dia 9 de abril revela que, se as eleições fossem hoje, o PP subiria 0,9%, o PSOE subiria 1%, o Podemos perderia 0.3% dos votos, e o Ciudadanos teria mais 1,6% dos votos. Mas, com a notícia de hoje, pode ser que os espanhóis encarem a atitude do Podemos como irresponsável e castiguem os radicais por isso. Isto se estiverem realmente interessados em que haja governo. Se, pelo contrário, os 20% dos eleitores que votaram no Podemos forem, de facto, pessoas inteiramente dedicadas a desestabilizar a situação política espanhola, então o partido de Iglesias pode estar descansado.
Depois das eleições, é bem provável que seja novamente necessário que haja acordos entre Partidos, para que haja um governo estável em Espanha, e os espanhóis devem levar isso em consideração quando voltarem às urnas.
Esperemos, e vejamos o que as próximas eleições nos reservam.
S.G.
Comentários
Enviar um comentário