De Referendo em Referendo
Na passada 4ª feira, a Holanda foi a votos. Em causa esteve o referendo ao Acordo de Associação entre a Ucrânia e a União Europeia, um tratado que visa aproximar a UE e a Ucrânia em termos políticos e económicos. O documento foi assinado em 2014, e foi sendo aprovado e ratificado por 27 dos 28 países da União Europeia. Faltou a Holanda, em que houve um grupo de pessoas que conseguiu travar a ratificação através de um referendo, já depois da aprovação e promulgação do documento.
A votação decorreu no dia 6 de abril, e por pouco não foi invalidada, devido à reduzida afluência às urnas. No entanto, este facto não diminuiu o impacto do resultado: quase 62% votaram CONTRA o acordo, e, embora o resultado não seja vinculativo, o Primeiro Ministro já informou que tomará em consideração a vontade popular. O referendo foi mais uma avaliação à União Europeia do que, propriamente, um juízo ao Acordo em causa.
Durante a campanha, os populistas eurocéticos fizeram campanha pelo "Contra", defendendo que este Acordo significa mais União Europeia e informando que são contra qualquer acordo que fosse para além da cooperação económica. O Partido Socialista (extrema-esquerda), também fez campanha pelo "Contra", considerando que este Acordo apenas beneficiaria as multinacionais, e não o ucraniano comum.
O Primeiro Ministro fez campanha a favor do Acordo, representando o resultado do referendo uma grande derrota política. Estes resultados revelam o descontentamento geral dos Holandeses face à UE. No entanto, a consequência mais interessante do resultado deste referendo é a influência que pode ter no referendo ao Brexit, que será já em Junho deste ano. Esta vitória indiscutível do "Contra" faz tremer a coesão europeia, e poderá dar força à campanha do "Out" no referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia. David Cameron, que faz campanha pelo "In", já veio dizer que espera que os resultados na Holanda não afetem o referendo ao Brexit. Contudo, será difícil evitar o efeito encorajador ao movimento eurocético dos resultados do referendo holandês.
Se as coisas já estavam difíceis para a campanha do "In", no Reino Unido, veremos se, depois deste referendo, a saída do Reino Unido da União Europeia não se tornará, cada vez mais, uma possibilidade.
S.G.
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