The Land of the Free?

Neste Blog, já várias vezes abordámos a questão da intolerância, do exagero do politicamente correto, da violação do direito à liberdade de expressão, da censura em geral . Mas surpreende quando o país em causa é "a Terra da Liberdade", os EUA.
Os EUA são um caso bastante bizarro no campo da liberdade. Se, por um lado, é um país que incontestavelmente enfatiza os valores do individualismo e da liberdade individual, especialmente no que diz respeito à Economia, por outro, tem já uma tradição algo consistente em negar a liberdade de expressão a quem possa ofender determinado grupo étnico, social, religioso... As Universidades são disso um exemplo flagrante: há universidades americanas em que existem listas de ideias e palavras que não devem ser ditas (como a palavra "violar" em "violar a lei", por exemplo). Houve, até, a criação do conceito "microagressão"- ações ou palavras que, aparentemente, não são ofensivas, mas que podem ser interpretadas como violentas (por exemplo, perguntar a um asiático de que país é que ele é.). Há Universidades que evitam estudar obras como O Grande Gatsby, porque envolvem temas sensíveis, como a misoginia ou a violência física. Ora, esta nova escola de "não-ofensores", para além de ser ridícula, constrange o desenvolvimento intelectual, as relações interpessoais, e cria uma geração de gente que não está habituada ao confronto (antes que se exalte, Sr.ex-ministro João Soares, não me refiro a bofetadas).
Esta censura da Casa Branca é só mais um sintoma de que, nas últimas décadas, se tem vindo a acentuar nos Estados Unidos uma cultura altamente paternalista, que, procurando evitar a mínima oposição de ideias, presta-se ao ridículo de criar uma lista de palavras proibidas, ou de evitar a expressão "Terrorismo Islamita". Barack Obama, de facto, tem sido extra-cuidadoso nestas questões, o que só pode ter consequências negativas. Uma coisa é não querer incentivar conflitos sociais. Outra, bem diferente, é ser de tal forma cauteloso que se recusa a reconhecer que o terrorismo de Bruxelas e Paris tem motivações religiosas ligadas ao Islão.
O fenómeno Trump é um movimento de gente radical, racista e xenófoba, para quem todas as questões têm uma resolução simples. Mas este radicalismo tem um equivalente igualmente preocupante na área do politicamente correto, com enorme influência no meio universitário, e, embora seja forçado dizer que um radicalismo originou o outro, é certo que ambos se alimentam mutuamente.
S.G.
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