Insólitos - Um Chalupa à Bofetada e um Desafio Impossível de Resolver
1. João Soares continua a dar cartas. Depois da polémica envolvendo a demissão do Presidente do CCB, o ministro da Cultura publicou, no seu perfil do Facebook, um texto em que prometia umas "salutares bofetadas" ao crítico Augusto M. Seabra, que escreveu um artigo no "PUBLICO" acerca da atuação de João Soares enquanto Ministro da Cultura. Soares aproveita e junta o nome de Vasco Pulido Valente à lista de bofetáveis. Entretanto, Seabra já fez saber que considera as declarações de Soares inqualificáveis. VPV espera pelas bofetadas.
Quem ainda não achar a atitude de Soares encantadora, subtil, elegante, certamente mudará de opinião depois de ler excertos eróticos da obra do seu Alter ego, Hans Nurlufts, intitulada El síndrome de la hormiga. Aos interessados na criação literária deste génio, que faz concorrência a personalidades como John Cleland ou D.H.Lawrence, dois autores que ficaram célebres pela ousadia das suas obras, pode ser útil este artigo do Observador. Encorajemos este homem, para que ele nos possa continuar a brindar com a sua delicadeza.
2. A imagem abaixo, que faz publicidade à marca de roupa "GAP" motivou uma onda de indignação nas redes sociais, e irá até ser retirada da campanha publicitária. Proponho ao leitor que tente descobrir o motivo da indignação.

Nada lhe vem à cabeça? Não se assuste, é natural. Sucede que, nos Estados Unidos (que já se tornam conhecidos por, estranhamente, serem tão intolerantes em relação à liberdade de expressão, em parte devido à pressão dos movimentos do "politicamente correto"), houve quem considerasse que a imagem transmite o "racismo passivo" ainda presente na sociedade americana. O facto de a modelo negra ser mais pequena do que a modelo branca, e de o apoio da modelo branca na modelo negra transmitir uma relação de amizade e proximidade entre as duas, não deve ter chegado a quem se sentiu ultrajado com a imagem publicitária. Não! Claramente, o que a imagem transmite é o domínio caucasiano sobre a raça negra.
Já houve, também, quem tenha vindo em defesa do género masculino, que não se encontra representado na imagem. Não interessa se a coleção é unicamente feminina. Trata-se, obviamente, da menorização do sexo masculino em relação ao feminino. A comunidade de canhotos também se manifestou, porque as quatro modelos parecem todas escrever com a mão direita. Os anões ainda estão chocados com a discriminação de que foram alvo.
Se o racismo é, de facto, um assunto sério, este histerismo só contribui para que a verdadeira causa antirracismo seja negligenciada. O bom-senso, muitas vezes, é melhor conselheiro do que estas interpretações rebuscadas, que só contribuem para que se ignorem os verdadeiros problemas associados à discriminação. Este é o caso.
S.G.
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