Tchau, Querida!

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Dilma está cada vez mais perto de perder o cargo de Presidente (ou Presidenta, como estupidamente gostava que se referissem a ela). No domingo, a Câmara dos Deputados votou o impeachment, ou "impitiman", como por lá muitas vezes se diz, e conseguiu obter os 342 votos a favor da destituição, número que corresponde a 2/3 da Câmara Baixa
.Assim, o processo segue para o Senado e,  se este, por maioria simples, aceitar o pedido de impeachment, Dilma será afastada da Presidência durante um máximo de 180 dias, e, durante este período, o Senado deverá proceder ao "julgamento" da Presidente, ficando este processo terminado com a votação derradeira do pedido de destituição. Nesta votação, serão necessários 54 votos a favor ( 2/3 da Câmara Alta) para que Dilma Rousseff seja definitivamente afastada.
É, de facto, uma situação dramática, e o clima da votação de Domingo só corrobora a ideia de que o Brasil está em apuros. Cada país tem a sua forma de exercer a Democracia, é verdade, mas o que se passou dentro da Câmara dos Deputados na votação do impeachment foi impressionante:
Antes da votação, falaram 120 deputados!;
Deputados exibiam cartazes  e faixas com máximas como "Tchau, Querida!", "Golpe!" ou "Fora Cunha" (apelo à demissão do Presidente da Câmara);
Deputados colocavam-se atrás da Mesa da Presidência, aos empurrões, esforçando-se para não esmagar os membros da Mesa;
Manifestações a favor e contra a destituição com uma intensidade que faz inveja à CGTP;
Deputados que, antes de votarem "Sim" ou "Não", diziam frases como "Com a ajuda de de Deus(...)", "Pelos meus filhos, pela minha mulher(...)", "Pela minha família(...)", "Pelos evangélicos(...)", "Pelos polícias(...)", "Dilma, você é uma vergonha, vergonha, vergonha!", "Em nome do Brasil, minha mãezinha!"
Deputados que, na altura do voto, cantavam: "Dilma vai embora que o Brasil não quer você/ E leva o Lula junto e os vagabundos do PT!";
Cada vez que um deputado votava, a claque do voto declarado festejava como se de um golo num jogo de futebol se tratasse, principalmente quando se votava "SIM";
Ouviu-se de um deputado: "Quem vota SIM coloca a mão para cima, coloca a mão para cima!", como se estivesse a animar um concerto... Ivete Sangalo diz "Tira o pé do chão!". Este deputado prefere a mão no ar;
Desordem geral;
Deputados do "SIM" aos saltos e festejos, nem parecia que uma Presidente de um país com a dimensão do Brasil tinha acabado de ficar bem mais perto de ser destituída.
Também havia situações mais desconfortáveis, alguns amassos, também algumas ameaças. 
No fim, parecia que o Brasil tinha ganho o Mundial, e os deputados comemoravam a abertura do Processo de Impeachment com cânticos, bandeiras, uns deputados às cavalitas de outros, euforia generalizada... tudo isto na casa da Democracia Brasileira. Depois deste espetáculo, só posso dizer que o Parlamento Português dá sono...
Terminada esta festa, o Processo segue, agora, para o Senado. E, Senhora Presidenta Dilma, se não a voltar a ver até depois do impitiman, só me resta dizer "Tchau, querida!".
S.G.

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